
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Divulgado nesta quinta-feira (8), o levantamento aponta Flávio com 49% das intenções de voto, enquanto Lula registra 45%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os candidatos estão tecnicamente empatados no limite da margem de erro.
A pesquisa foi contratada pelo jornal Folha de S.Paulo e pela TV Globo. O instituto ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios, entre terça-feira (6) e quarta-feira (7). O nível de confiança é de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Além das intenções de voto, o levantamento identificou que 5% dos entrevistados pretendem votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum dos dois candidatos. Outros 1% não souberam responder à pergunta.
Os números mostram o cenário inicial da disputa entre Flávio e Lula após o primeiro turno, realizado no domingo (4 de outubro). Os dois candidatos agora buscam ampliar suas bases eleitorais e conquistar os votos dos eleitores que optaram por outros concorrentes, além daqueles que não compareceram às urnas.
Flávio tem 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula
Quando são considerados apenas os votos válidos, excluindo os votos brancos, nulos e os eleitores indecisos, Flávio Bolsonaro aparece com 52%, enquanto Lula registra 48%.
Esse é o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para calcular o resultado oficial da votação. Embora a diferença numérica seja de quatro pontos percentuais nesse recorte, a margem de erro de dois pontos também deve ser considerada na leitura do levantamento.
Os percentuais indicam a distribuição das intenções de voto entre os dois candidatos no cenário pesquisado. Como se trata de uma pesquisa de opinião, os números não representam o resultado da eleição, que será definido pelos votos depositados nas urnas no segundo turno.
Na pesquisa com votos totais, Flávio tem 49% e Lula, 45%. A diferença é de quatro pontos percentuais, colocando os dois candidatos no limite do empate técnico, conforme a margem de erro informada pelo instituto.
A divulgação do levantamento marca a primeira medição do Datafolha após a definição dos candidatos que disputarão a etapa final da eleição presidencial. O resultado também oferece um ponto de partida para acompanhar as mudanças nas intenções de voto durante a campanha do segundo turno.
Resultado do primeiro turno
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula na contagem dos votos válidos. O candidato do PL recebeu 47,03%, o equivalente a 56.104.503 votos. Já o atual presidente, do PT, obteve 45,16%, totalizando 53.879.538 votos.
A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Apesar da vantagem de Flávio na votação inicial, nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, o que levou a disputa para o segundo turno.
Depois dos dois primeiros colocados, Augusto Cury (Avante) ficou com 2,89% dos votos válidos, somando 3.448.569 votos. Renan Santos (Missão) recebeu 2,24%, com 2.675.887 votos, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) obteve 2,18%, totalizando 2.605.148 votos.
Os votos recebidos pelos candidatos que não avançaram para o segundo turno passam a integrar o cenário de disputa política entre Flávio e Lula. Os eleitores, porém, não são obrigados a manter a mesma orientação política nem a escolher um dos dois nomes na votação final.
Outro fator relevante é a abstenção. No primeiro turno, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas, o equivalente a 21,04% do eleitorado, conforme os números apresentados no levantamento. A participação desse contingente pode ser um dos elementos observados pelas campanhas durante a nova etapa eleitoral.
Como estava o cenário antes do primeiro turno
Na pesquisa Datafolha divulgada em 3 de outubro, véspera da votação, Lula aparecia numericamente à frente de Flávio em um cenário de segundo turno. O petista tinha 47% das intenções de voto, enquanto o senador registrava 46%. A diferença, de um ponto percentual, também configurava empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos.
Naquele momento, o levantamento indicava uma disputa apertada entre os dois candidatos. Após o resultado das urnas e a divulgação da nova pesquisa, Flávio passou a aparecer numericamente à frente, com 49% contra 45% de Lula.
A comparação entre os levantamentos mostra uma mudança nos percentuais registrados pelo instituto. Entretanto, é importante considerar que pesquisas refletem as respostas dos entrevistados no período em que foram realizadas e estão sujeitas à margem de erro. Elas não determinam antecipadamente o comportamento dos eleitores nem o resultado final da eleição.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, os candidatos terão de apresentar suas propostas, mobilizar apoiadores e buscar ampliar o apoio entre os eleitores que ainda não decidiram como votar ou que pretendem rever sua escolha.
Avaliação do governo Lula
Além das intenções de voto para a Presidência, o Datafolha divulgou novos números sobre a avaliação do governo Lula. O levantamento mostra como os entrevistados classificam a administração federal e como avaliam o trabalho do presidente.
Na avaliação geral do governo, 35% dos entrevistados consideram a gestão ótima ou boa. Esse percentual se manteve em relação à pesquisa anterior, depois de uma sequência de resultados que passou por 31%, 32%, 34%, 34% e 35%.
A parcela que classifica o governo como regular está em 24%. Nas rodadas anteriores citadas no levantamento, esse grupo oscilou entre 23% e 25%, chegando a 24% na pesquisa mais recente.
Já os entrevistados que consideram o governo ruim ou péssimo representam 40%. O percentual apresenta uma pequena redução em relação à rodada anterior, quando estava em 41%. Nas pesquisas anteriores mencionadas, o índice passou por 42% em três levantamentos, caiu para 40% e depois chegou a 41%.
O grupo que não soube avaliar a administração federal representa 1% dos entrevistados. O percentual permanece próximo ao registrado nas rodadas anteriores, nas quais variou entre 1% e 2%.
Os dados mostram a distribuição das avaliações dos entrevistados sobre o governo federal. A classificação geral da administração, porém, não deve ser confundida com a intenção de voto, já que as perguntas medem aspectos diferentes: uma trata da avaliação da gestão e a outra, da escolha eleitoral para o segundo turno.
Aprovação e desaprovação do presidente
O instituto também perguntou se os entrevistados aprovam ou desaprovam o trabalho de Lula como presidente da República.
Na pesquisa mais recente, 48% afirmaram aprovar a atuação do presidente, mesmo percentual registrado no levantamento anterior. A série apresentada pelo instituto mostra que a aprovação passou por 45% em setembro, subiu para 47%, chegou a 48%, recuou para 47% e voltou a 48%.
A desaprovação está em 49%, também sem alteração em relação à pesquisa anterior. Nos levantamentos citados, o índice começou em 51%, caiu para 50% e permaneceu nesse patamar por três rodadas, antes de chegar a 49%.
Os entrevistados que não souberam responder representam 2%, abaixo dos percentuais de 3% registrados em quatro rodadas anteriores e dos 4% observados no início da série mencionada.
A diferença entre aprovação e desaprovação é de um ponto percentual, com a desaprovação numericamente superior. Como os indicadores medem a percepção sobre o desempenho presidencial, eles ajudam a contextualizar o ambiente político em que ocorre a disputa, mas não substituem os dados específicos de intenção de voto.
Campanhas entram em nova etapa
Com o segundo turno definido, Flávio Bolsonaro e Lula passam a concentrar esforços na disputa direta pela Presidência. Além de manter os eleitores que já declaram apoio, ambos terão de buscar adesões entre os que votaram nos candidatos eliminados no primeiro turno.
A mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas também pode fazer parte das estratégias das campanhas. No entanto, não é possível afirmar, apenas com os números de abstenção, qual candidato teria maior capacidade de atrair esse grupo.
A nova pesquisa Datafolha oferece uma fotografia do cenário eleitoral no início do segundo turno. Flávio aparece numericamente à frente tanto nos votos totais quanto nos válidos, mas a margem de erro mantém a disputa em situação de empate técnico no levantamento.
A avaliação do governo Lula, por sua vez, permanece dividida entre aprovação e desaprovação, enquanto a classificação geral da administração apresenta percentuais distintos entre avaliações positivas, regulares e negativas.
Os próximos levantamentos poderão indicar se os percentuais se mantêm ou se haverá mudanças durante a campanha. Até a votação de 25 de outubro, os números devem ser interpretados como indicadores momentâneos das preferências dos entrevistados, e não como previsão definitiva do resultado eleitoral.







